Médico que acelerou a 148 km/h e “voou” com carro em viaduto de Goiânia vai pagar R$591 mil de indenização a famílias das vítimas
Dois jovens, de 21 e 23 anos, morreram após serem arremessados a mais de 10 metros. Outro motorista e mulher também foram atingidos

O médico ortopedista Rubens Mendonça Júnior, de 33 anos, não será condenado pelas mortes de dois jovens após acelerar a 148 km/h e “voar” com um carro no viaduto da Avenida T-63 com a Avenida 85, em Goiânia. Ele assinou um acordo com o Ministério Público de Goiás (MPGO) e precisará apenas pagar indenizações.
O desfecho do caso acontece mais de três anos após o acidente, registrado em 20 de abril de 2023. Na prática, o motorista assina um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), que define que vai confessar a responsabilidade pelo acidente para se livrar de um julgamento, fazendo com que o processo seja arquivado pela Justiça.
Rubens vai indenizar as famílias das vítimas fatais – o motoboy Leandro Ferreira Pires, de 23 anos, e o garçom David Antunes Galvão, de 21 -, além de outras duas pessoas que ficaram feridas no acidente. A Vila São José Bento Cottolengo (em Trindade), instituição escolhida pelo MPGO, também receberá parte dos valores, que somados chegam a R$ 591 mil.
O acidente chamou atenção à época por conta da gravidade e da sequência que acontecimentos que levaram à colisão. Era pouco antes da meia-noite quando Rubens decidiu acelerar o carro, realizou uma ultrapassagem irregular, invadiu a contramão e atingiu os jovens.
Segundo informações do O Popular, a versão que prevaleceu é de que ele agiu por imprudência. O veículo alcançou 148 km/h após a ultrapassagem, feita depois de sinais de luz alta, e chegou a “entrar em movimento de voo”, descolando-se do asfalto.
Quando o carro voltou ao chão, o motorista acabou perdendo o controle e atingindo de frente a motocicleta pilotada por Leandro, onde David era o passageiro. O condutor foi arremessado a 13,2 metros, enquanto o garupa foi a 24 metros, jogados por cima do parapeito do viaduto. Ambos morreram no local.
Wanderlyne Gomes dos Reis estava em uma motoneta um pouco atrás. Ela foi atingida pelos jovens e pelos destroços e bateu em outro carro, cujo motorista – Gilson Campos D’Antonio – sofreu lesões leves. Ela teve lesões graves e foi levada ao Hospital Ortopédico de Goiânia (HOG), com suspeita de fratura no fêmur.
DESFECHO | O médico ortopedista Rubens Mendonça Júnior, de 33 anos, não será condenado pelas mortes de dois jovens após acelerar a 148 km/h e “voar” com um carro no viaduto da Avenida T-63 com a Avenida 85, em Goiânia.
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— Portal 6 (@portal6noticias) June 19, 2026
Reviravoltas judiciais
O acordo assinado por Rubens define que ele vai pagar R$ 400 mil em parcelas para a família de David, R$ 56 mil para Gilson, R$ 85 mil para Wanderlyne e R$ 50 mil para a Vila São José Bento Cottolengo.
No caso de Leandro, o documento aponta que o advogado dos familiares foi notificado, mas não compareceu à audiência.
O ANPP conclui uma série de reviravoltas desde a ocorrência do crime. Quando a denúncia foi apresentada, no primeiro semestre de 2023, o MPGO entendia que se tratava de dolo eventual – quando o autor não quer alcançar o resultado, mas assume o risco de produzi-lo.
Ao final da primeira fase, o promotor responsável pelo caso mudou a interpretação, defendendo que o motorista se deparou com um veículo cujos mecanismos desconhecia, o que contribuiu para a colisão.
O órgão chegou a propor um ANPP, mas voltou atrás porque concluiu que o caso deveria seguir para júri popular. Esta versão também não durou. Na segunda instância, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) entendeu que se tratava de um crime de trânsito.
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