Aprendeu a fazer queijo com o pai de 95 anos, voltou para a fazenda da família no Serro e hoje é jurado em concursos mundiais
Memórias preservadas durante décadas revelaram um caminho inesperado repleto de conquistas e reconhecimento internacional

A história de Raimundo Nonato Santa Rita mostra como tradição e experiência podem transformar uma paixão de infância em reconhecimento internacional.
Aos 60 anos, depois de construir uma carreira de mais de 35 anos nas áreas de Contabilidade e Direito, em São Paulo, ele decidiu retornar à Fazenda Sobrado, em Paulistas, na microrregião do Serro, para dar continuidade à produção do tradicional Queijo Minas Artesanal ensinada pelo pai, Antônio Santa Rita, hoje com 95 anos.
O contato com a produção começou ainda na infância. Nonato aprendeu a tirar leite, fabricar queijo e transportar as peças para a cidade em caixotes levados no lombo de burros.
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O pai iniciou a atividade aos 14 anos e dedicou mais de sete décadas ao ofício. Ao voltar para a fazenda em 2017, o filho fez questão de preservar cada etapa do processo artesanal, mantendo a receita tradicional e os gestos ensinados pelo patriarca.
A única mudança foi a adoção de equipamentos mais modernos para atender às exigências sanitárias atuais.

(Foto: Reprodução)
Tradição premiada
A queijaria Sô Toní, criada em homenagem ao pai, rapidamente passou a colecionar prêmios em concursos estaduais, nacionais e internacionais.
Os queijos produzidos na Fazenda Sobrado conquistaram medalhas em competições de grande prestígio e ajudaram a fortalecer ainda mais a reputação do Queijo Minas Artesanal da microrregião do Serro.
O produtor também atua na valorização da Indicação Geográfica da região como coordenador do Conselho Regulador da APAQS.
Reconhecimento mundial
Além de premiado, Raimundo Nonato passou a integrar o seleto grupo de jurados em concursos internacionais de queijo.
Membro da Guilde Internationale des Fromagers, ele já participou da avaliação de produtos em eventos realizados na França e no Brasil, levando a experiência adquirida na fazenda para análises técnicas de queijos de diversas partes do mundo.
Sua trajetória reforça como a preservação de uma tradição familiar pode atravessar gerações e alcançar reconhecimento nos principais palcos da produção artesanal mundial.
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