Academia Hope é condenada por homofobia ao usar argumentos religiosos contra empresário de Anápolis

Caso ganhou repercussão nacional após aluno denunciar reclamações de constrangimento por conta do short curto que ele usava

Danilo Boaventura Danilo Boaventura -
Academia Hope Select se pronunciou após cliente denunciar constrangimento por usar short curto. (Foto: Google Maps/Hope Select e @lifestyledomark)
Hope Select foi condenada após cliente denunciar constrangimento por usar short curto. (Foto: Google Maps/Hope Select e @lifestyledomark)

A academia Hope Select foi condenada a pagar R$ 20 mil por danos morais ao empresário Marcus Vinicius Cardoso de Andrade após um episódio ocorrido durante um treino no estabelecimento, localizado no Jardim Europa, em Anápolis.

Conforme decisão do 3º Juizado Especial Cível, o empresário foi chamado por funcionários da academia após terminar o treino, em junho do ano passado. O motivo teria sido o uso de um short considerado curto demais para o ambiente.

Após a abordagem, ele afirmou ter se sentido constrangido e levou o caso à imprensa e às redes sociais, alegando que a situação tinha relação com sua orientação sexual.

Durante a análise do caso, a Justiça entendeu que a advertência sobre a vestimenta, por si só, não configurou discriminação. A decisão aponta que estabelecimentos privados podem estabelecer regras de convivência e até códigos de vestimenta para frequentadores.

O entendimento mudou, porém, quando a academia decidiu publicar uma nota oficial para responder às acusações.

Segundo a sentença, ao justificar sua postura afirmando que buscava “agradar e honrar a Deus”, a academia introduziu um argumento religioso em um episódio que envolvia um cliente homossexual.

Para a juíza Luciana de Araújo Camapum Ribeiro, essa associação ultrapassou o limite de uma simples defesa institucional e reforçou publicamente uma reprovação moral ligada à orientação sexual do empresário.

A decisão aponta que, ao inserir esse elemento religioso no debate público, a academia acabou ampliando o constrangimento e a exposição do cliente, caracterizando falha na forma como administrou a crise e gerando o dever de indenizar.

 

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Danilo Boaventura

Danilo Boaventura

Jornalista graduado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), pós-graduado em Docência em Comunicação pela Faculdade Cidade Verde (PR) e mestrando em Marketing Político pela Universidad del Salvador, de Buenos Aires.

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