Entenda como funcionava o esquema de R$ 2 bilhões de jogos ilegais que levou à prisão de dois empresários de Anápolis

Para camuflar o rastro do dinheiro, os suspeitos utilizavam contas de "laranjas" e operavam através de fintechs

Davi Galvão Davi Galvão -
Lenine Araújo de Souza e João Victor Araújo de Souza são empresários. (Imagem: Reprodução/Redes sociais) jogos
Lenine Araújo de Souza e João Victor Araújo de Souza são empresários. (Imagem: Reprodução/Redes sociais)

O Ministério Público do Paraná (MPPR) forneceu mais detalhes sobre a Operação Big Fish, que desarticulou um esquema criminoso envolvendo jogos ilegais que movimentou cerca de R$ 2 bilhões, culminando na prisão de 55 pessoas.

Duas destas, inclusive, são pai e filho: os empresários de Anápolis Lenine Araújo de Souza, de 59 anos, e João Victor Araújo de Souza, de 29 anos, ambos de Anápolis, foram presos nesta terça-feira (07), quando a operação foi deflagrada.

A reportagem entrou em contato com a defesa de ambos, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria.

A investigação, que se estendeu por mais de três anos, revelou uma estrutura complexa de lavagem de dinheiro e exploração de apostas em jogos ilegais.

Quadrilha é suspeita de ter movimentado cerca de R$ 2 bilhões. (Foto: Divulgação/PC)

Quadrilha é suspeita de ter movimentado cerca de R$ 2 bilhões. (Foto: Divulgação/PCPR)

Para desmantelar o grupo, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) mobilizou 330 agentes e três aeronaves no cumprimento de 371 ordens judiciais. Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 1,5 bilhão em contas bancárias e a retirada de 21 sites de apostas do ar.

Goiás no esquema

O inquérito aponta que a organização nasceu da união estratégica entre os dois maiores grupos de jogos ilegais do Brasil, um sediado no Paraná e outro em Goiás.

Segundo o delegado da PCPR, Marcus Felipe da Rocha Rodrigues, os grupos criaram uma rede sofisticada para diversificar os crimes cometidos.

“Estes são os dois maiores grupos em atuação no país, que se associaram em uma engrenagem criminosa voltada para a prática de diversos tipos penais”, pontua o investigador.

De caça níqueis a tigrinho

Para camuflar o rastro do dinheiro, os suspeitos utilizavam contas de “laranjas” e operavam através de fintechs. O uso de “contas bolsões” dificultava o rastreamento da origem e do destino final dos recursos.

O delegado detalha que a organização criava empresas fictícias para integrar o capital ilícito à economia formal.

“Também evidenciou-se a criação de empresas de fachada e fictícias voltadas para ocultar os rendimentos ilegais e assim dar uma aparência de licitude aos valores obtidos de forma criminosa, integrando na economia formal valores obtidos”, afirmou Rodrigues.

A rede criminosa mantinha até mesmo uma empresa de Tecnologia da Informação (TI) dedicada exclusivamente ao suporte das plataformas de apostas.

Técnicos trabalhavam ininterruptamente na manutenção de softwares que operavam em pelo menos 14 estados brasileiros.

O MPPR destacou que a organização operava por meio de diversas plataformas digitais voltadas à exploração ilegal, incluindo jogo do bicho, máquinas caça-níquel, apostas esportivas e jogos de azar online, inclusive o popularmente conhecido “tigrinho”

Grupo atuava em diversos esquemas de jogos ilegais. (Foto: Divulgação)

Grupo atuava em diversos esquemas de jogos ilegais. (Foto: Divulgação)

Apreensões

As autoridades identificaram mais de 520 mil operações financeiras suspeitas após analisarem 2,6 terabytes de dados.

Foram sequestrados 111 imóveis, avaliados em R$ 32,9 milhões; 132 veículos, avaliados em R$ 11 milhões e mais de cem cabeças de gado, avaliadas em R$ 43,9 milhões.

Organização criminosa movimentou cerca de R$ 2 bilhões. (Foto: Divulgação)

Organização criminosa movimentou cerca de R$ 2 bilhões. (Foto: Divulgação)

Além dos dois anapolinos detidos na operação, também foram presos membros dos núcleos financeiro e operacional, além de dois vereadores. Os investigados devem responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar.

A maior parte das ações foi realizada no Paraná, mas também houve atividades em Goiás, São Paulo, Pará e Santa Catarina.

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Davi Galvão

Davi Galvão

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Atua como repórter no Portal 6, com base em Anápolis, mas atento aos principais acontecimentos do cotidiano em todo o estado de Goiás. Produz reportagens que informam, orientam e traduzem os fatos que impactam diretamente a vida da população.

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