Imóvel comprado antes do casamento pode ser dividido entre ex-cônjuges, explica advogada

Decisão do STJ mostra que parcelas pagas durante a união entram na divisão em caso de divórcio

Gabriel Yure Gabriel Yuri Souto -
Entenda como funciona a usucapião especial urbana e saiba quando é possível se tornar proprietário de imóvel sem registro após 5 anos de posse.
(Foto: Freepik)

Muita gente acredita que um imóvel comprado antes do casamento não entra na partilha. No entanto, esse entendimento não é absoluto e pode mudar dependendo da forma de pagamento do bem.

Segundo a advogada Simone Calili (@simonecaliliadv), especialista em inventário, doação, testamento e holding, a Justiça já reconhece que parte do imóvel pode ser dividida mesmo quando a compra ocorreu antes da união.

O que diz a decisão do STJ

De acordo com entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o fator mais importante não é apenas a data da compra.

Na prática, o tribunal considera como o imóvel foi pago ao longo do relacionamento.

Assim, quando o casal continua pagando as parcelas durante o casamento, a Justiça entende que existe esforço comum.

Por isso, a parte quitada nesse período entra na divisão.

Não importa quem pagou o financiamento

Muitas pessoas acreditam que apenas quem pagou tem direito ao bem.

No entanto, a Justiça adota outro entendimento.

Nesse sentido:

  • não importa se apenas um dos cônjuges pagou
  • não importa se o contrato está em apenas um nome

Isso acontece porque, durante o casamento, existe contribuição indireta na construção do patrimônio.

Como funciona na prática

A divisão não envolve o imóvel inteiro automaticamente.

Em vez disso, a Justiça separa os períodos.

Funciona assim:

  • o valor pago antes do casamento permanece individual
  • o valor pago durante a união deve ser dividido

Dessa forma, o cálculo considera apenas o período em que houve vida em comum.

Por que a Justiça decide assim

A legislação brasileira valoriza o esforço do casal como um todo.

Além disso, não considera apenas o pagamento direto.

Também entram nessa análise:

  • organização da casa
  • apoio ao parceiro
  • contribuição para a estabilidade familiar

Assim, mesmo sem pagamento direto, pode existir direito à partilha.

Alerta para quem vai casar ou se separar

Segundo Simone Calili, esse detalhe costuma surpreender muitos casais.

Por isso, entender as regras antes evita conflitos futuros.

Além disso, buscar orientação jurídica ajuda a proteger o patrimônio e tomar decisões mais seguras.

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Gabriel Yure

Gabriel Yuri Souto

Formado em Marketing, é especialista em SEO e estratégias de crescimento de audiência. Atua na produção de conteúdo digital, com foco em posicionamento nos mecanismos de busca, análise de desempenho e desenvolvimento de pautas orientadas por dados.

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