Empresa de Anápolis e Prefeitura de Abadiânia viram alvo do MP após “sumiço” de 70 pneus comprados para o Samu

Processo analisa a aquisição de 112 pneus, dos quais 70 não teriam sido sequer localizados

Natália Sezil -
pneus dos carros
Conjunto de pneus. (Foto: Reprodução/ Freepik)

Uma empresa de Anápolis e a Prefeitura de Abadiânia viraram alvos do Ministério Público de Goiás (MPGO) diante da suspeita de improbidade administrativa. O processo analisa a aquisição de 112 pneus da K&K Pneus, dos quais 70 acabaram não sendo localizados.

Fundada em 2015 e situada na Rua Engenheiro Portela, próximo à Avenida Brasil Sul, a companhia anapolina teria firmado um contrato por meio de dispensa de licitação, no valor de R$ 60.320, no segundo semestre de 2025.

O acordo envolvia o Fundo Municipal de Saúde de Abadiânia e a empresa de pneus, com o objetivo de que se pudesse renovar as frotas de ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Segundo o MPGO, as notas fiscais foram emitidas em 1º de agosto de 2025. A despesa foi liquidada pouco depois: em apenas cinco dias, com o pagamento integral transferido já em 12 de agosto. O prazo é considerado atípico pela investigação.

A situação logo chamou atenção e gerou uma denúncia anônima. No relato, a pessoa mencionava pagamento acelerado à empresa e ausência de mudanças na frota da Secretaria de Saúde, que continuava circulando pela cidade com pneus desgastados – o que foi confirmado em diligências feitas em setembro.

Uma nova verificação indicou que o cenário era ainda mais amplo: sequer foi encontrado estoque de pneus na sede da pasta. Depois, 56 dos itens foram achados em um anexo do município, estocados de forma irregular.

Em um relatório técnico conclusivo, o MPGO chegou a apontar que, dos 112 pneus mencionados nas notas fiscais, apenas 26 estavam em uso, 16 estavam armazenados, e 70 não tinham sido sequer localizados.

Entre os utilizados, as marcas também eram diferentes daquelas descritas nos documentos fiscais. O dano ao patrimônio público, diante do apontado, chegaria a R$ 35.540.

Em depoimento, o proprietário da K&K Pneus, Carlos Henrique Gomes Pimenta, defendeu que realizou a entrega total dos produtos em três remessas, descarregadas pessoalmente. O recebimento das mercadorias foi atestado pelo então secretário municipal de Saúde, Waltin Braz Dutra.

Diante dos relatórios, o MPGO pede três coisas: que o Judiciário reconheça o ato de improbidade administrativa, que os envolvidos sejam condenados ao ressarcimento integral de R$ 35.540, e que sejam alvo de sanções – tais quais multa, proibição de contratar com o poder público por até 12 anos e suspensão dos direitos políticos pelo mesmo período.

O caso segue sendo analisado pelas autoridades competentes.

A reportagem procurou a Prefeitura de Abadiânia e a empresa K&K Pneus, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.

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Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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