Decadência do Centro e do Jundiaí dá espaço para outros setores, mas continua afetando economia de Anápolis
Presidente da CDL detalhou ao Portal 6 que os dois principais bairros comerciais da cidade sofreram resultados parecidos, mas processos diferentes
Não é novidade para quem caminha em Anápolis que, a cada dia, somam-se mais placas de “aluga-se” ou “vende-se” em bairros onde antes isso não era um cenário comum. O Centro e o Jundiaí já viraram assunto repetidas vezes por conta de uma suposta decadência dos dois setores.
O que muita gente vê apenas ao passar é confirmado pelo presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Anápolis, Luis Miguel Mendes, que explicou ao Portal 6 que os dois bairros enfrentam processos diferentes e resultados semelhantes.
O fenômeno dá espaço para o crescimento de outros setores, mas faz com que a abertura de novos empreendimentos nesses bairros não indiquem, de fato, o crescimento econômico da cidade.
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Luis Miguel explica: “começamos a ter um certo crescimento nas vendas de bairro e dos outros centros, mas é um crescimento deslocado. Não cresce a economia da cidade. O consumo só muda de local”.
O empresário diz que quem mais avançou nos últimos dois anos foi o Grande Recanto do Sol. “A Jaiara já tinha crescido antes. O Jundiaí, também”. O Parque Brasília, o Residencial Cerejeiras e a Avenida Pedro Ludovico entram na lista de espaços que “se aproveitam” da decadência do Centro.

Avenida Fernando Costa, principal via da Jaiara. (Foto: Paulo Roberto Belém)
Mesmo assim, compartilha: “o que preocupa é que esse crescimento estagnou”. “O anapolino está com menos dinheiro no bolso. Nós não estamos gastando, ou então alguma parte da população está indo gastar fora por conveniência ou porque não tem a oferta aqui dentro, e acabam comprando no comércio eletrônico, que é um grande vilão do comércio físico”.
É isso que explica, na avaliação dele, a queda que Anápolis sofreu no ranking do Produto Interno Bruto (PIB). Antes na segunda posição, o município caiu para quarto lugar, ficando atrás de Goiânia, Rio Verde e Aparecida de Goiânia.
Aumento no aluguel
O Setor Central e o Jundiaí sofrem problemas semelhantes com a alta dos aluguéis. O Portal 6 noticiou, ao longo de 2025, alguns exemplos disso – geralmente com empreendimentos que já eram consolidados na cidade, com 20 ou 50 anos de história.
Embora o resultado final seja o mesmo, os processos que levam até ali são diferentes para os dois bairros.
Luis Miguel detalha que, no Centro, o que acontece é a falta de recursos públicos. “Muitos pontos fechados são reflexos de pilares de vários motivos”, disse. O primeiro é que “as últimas gestões públicas não realizaram investimentos para a atualização”.

Luis Miguel Mendes, presidente da CDL Anápolis. (Foto: Acervo pessoal)
O presidente da CDL cita que faltam atratividades que levem a população a ocupar o local. “Seja por eventos, por locais públicos ou até por atrações que os locais privados promovem. Cinemas, shows, peças de teatro”, exemplifica.
“Quando deixa de ter essas atratividades e passa a não ter a gestão, o que a gente chama de mazelas vão ocupando os espaços”. Começam a surgir os problemas: é difícil se locomover nas calçadas pela falta de melhor alocação dos vendedores ambulantes, e as vias ficam cheias de buracos, degraus e obstáculos.
Outro fator que Luis Miguel menciona é a sensação de insegurança para o cidadão. Se o espaço não é ocupado pelo comércio e pelo consumidor, “não transmite segurança”.
Todos esses fatores fazem com que o Centro vá perdendo força. O cliente prefere ir comprar em outro lugar, fazendo com que o volume de vendas diminua. O aluguel, que antes era possível manter e ainda conseguir lucro, passa a consumir grande parte da renda. Resta buscar outros pontos.

Avenida São Francisco, em Anápolis. (Foto: Samuel Leão)
No Jundiaí, o que aconteceu foi a super valorização dos terrenos. “Se você subir a Avenida São Francisco, as duas primeiras quadras estão com 80% dos pontos fechados”. “Ali, o aluguel ficou alto antes da redução da venda”.
O empresário afirma que a área, nos últimos cinco anos, teve mais valorização que o Setor Marista, considerado bairro nobre de Goiânia. Os empreendedores também acabam precisando se mudar.
Revitalização do Centro
Uma das soluções propostas é requalificar o Setor Central. Luis Miguel crava: “nunca tivemos uma requalificação de nada em Anápolis. Tivemos criação de novas coisas”.
Ele diz que são necessários municípios onde os moradores tenham prazer de transitar. “Ao andar na cidade, a gente acaba consumindo mais. E isso ajuda a cidade como um todo, porque gera mais emprego, estrutura e investimento”.
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