Empresário indenizado após sofrer homofobia em academia de Anápolis revela que enxerga sentença como divisor de águas
Marcus Andrade desabafou que acusação de constranger outros alunos o deixou em choque

O empresário Marcus Andrade, que foi discriminado pela academia Hope Select ao usar um short curto, em Anápolis, relatou ter se sentido “anestesiado” logo após o ocorrido.
Na última terça-feira (03), uma decisão proferida pelo 3º Juizado Especial Cível de Anápolis decidiu que Marcus seria indenizado em R$ 20 mil por danos morais.
A sentença se baseou em um posicionamento oficial emitido pela academia, onde o estabelecimento justificou que tinha como propósito “agradar e honrar a Deus”. A declaração foi entendida como prova de homofobia.
Em entrevista ao Portal 6, Marcus contou que vê prós e contras na situação. Ele diz ter deixado de ler os vários comentários escritos nas publicações, porque “tem muitas coisas que mexem com a gente”, mas que considerou o debate gerado muito importante.
Veiculada em primeira mão pelo Portal 6 em junho de 2025, a denúncia ganhou repercussão nacional, virando destaque em veículos como o UOL e a Folha de São Paulo.
“Deixo meu ego de lado e penso que estão discutindo um assunto essencial para a comunidade LGBT. Com a repercussão, o caso também causou conscientização”.
Quanto à sentença proferida, o empresário diz ter se sentido satisfeito. Acredita que a publicação da nota oficial também foi fundamental. “Sem o posicionamento da academia, eu não teria nenhuma prova concreta e cabal do que aconteceu ali”, afirmou.
Ele aponta que a juíza Luciana de Araújo Camapum Ribeiro foi objetiva e assertiva na decisão, onde reforçou que não pode haver uso da religião para mascarar preconceitos.
Embora considere que haja caráter educativo no veredito, ele vê “pouca esperança de que a sociedade vá agir de forma diferente”. Mesmo assim, se sente com a “alma lavada” e defende que a sentença foi um divisor de águas.
Empresário se sentiu “anestesiado”
Marcus contou à reportagem que ficou em choque quando foi chamado em uma sala e informado de que outras pessoas haviam se sentido “constrangidas” pelo tamanho do short dele.
“Confesso que fiquei anestesiado. No começo, não estava acreditando. Foi a primeira vez que passei por um caso homofóbico, isso nunca tinha acontecido comigo”.
“Saí dali e comecei a me perguntar: ‘será que eu tô muito errado?’. Eu me senti nu. Foi como se me colocassem pelado no meio da rua”, desabafou. “E, no final, você acaba acreditando que o problema é você”.
O empresário compartilha que faria as coisas diferentes se a mesma coisa acontecesse hoje. “Chamaria a polícia e começaria a gravar na mesma hora”, finalizou.
Siga o Portal 6 no Instagram: @portal6noticias e fique por dentro das últimas notícias de Anápolis!








