Paulo Fonseca, açougueiro: a maioria acha que carne cara é sempre melhor, mas o corte que você ignora é o mais saboroso

No balcão do açougue, uma escolha pouco óbvia pode surpreender quem procura sabor, rendimento e preparo simples no dia a dia

Layne Brito -
Paulo Fonseca, açougueiro: a maioria acha que carne cara é sempre melhor, mas o corte que você ignora é o mais saboroso
(Foto: Reprodução)

Na hora de comprar carne, muita gente ainda segue a mesma lógica: quanto mais caro o corte, melhor será o resultado no prato. A escolha costuma recair sobre filé mignon, picanha, contrafilé ou alcatra, enquanto outras peças ficam esquecidas no balcão do açougue.

Para Paulo Fonseca, açougueiro, esse é um erro comum. Segundo ele, a maioria dos consumidores ignora cortes menos famosos que, quando bem escolhidos e preparados da forma correta, podem entregar mais sabor do que opções consideradas nobres.

O corte que costuma surpreender é a raquete bovina, também conhecida em alguns lugares como shoulder steak ou parte do miolo da paleta.

Ela é retirada da região dianteira do boi, uma área muitas vezes associada apenas a carnes de panela, mas que também pode render bons bifes e preparos na grelha.

Especialistas em carne apontam que o shoulder steak é extraído do miolo da paleta e fica no dianteiro do animal.

A peça chama atenção justamente por combinar sabor marcante, boa textura e versatilidade no preparo.

O segredo está no corte

A raquete não tem a mesma fama dos cortes traseiros, mas pode funcionar muito bem quando o açougueiro limpa a peça corretamente.

Em muitos casos, a retirada da membrana central ajuda a deixar a carne mais agradável para bifes, medalhões e grelhados.

Por isso, pedir orientação no balcão faz diferença.

Cortes muito finos podem ressecar com facilidade, enquanto bifes um pouco mais altos permitem selar a carne por fora e preservar a suculência por dentro.

Outro ponto importante é cortar contra as fibras.

Essa técnica ajuda a deixar a mastigação mais macia, principalmente em cortes que têm fibras mais aparentes.

Mais sabor sem pagar pelo nome

A fama de um corte nem sempre acompanha o sabor. Em muitos casos, o consumidor paga mais pelo nome conhecido do que pela experiência final no prato.

A raquete aparece justamente como alternativa para quem quer variar o cardápio sem gastar tanto.

O corte pode ser preparado na frigideira, na chapa, na churrasqueira, no forno ou até em receitas de panela, segundo publicações especializadas em preparo de carnes.

Para o dia a dia, sal, pimenta-do-reino, alho e um fio de azeite já são suficientes.

Na frigideira bem quente, o ideal é selar os dois lados e deixar a carne descansar alguns minutos antes de cortar.

No fim, a dica do açougueiro mostra que carne boa não depende apenas de preço. Muitas vezes, o melhor bife está justamente no corte que quase ninguém pede.

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Layne Brito

Estudante de jornalismo na Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA) e engenheira agrônoma, curiosa e sempre em busca de aprender, observar e contar histórias.

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